terça-feira, 6 de outubro de 2009

Mito ou verdade?

Para que lado a água gira quando escoa no ralo da pia ou na privada em alguns países?

Você deve ter ouvido alguém falar que a água, ao escoar no ralo da pia, ela gira no sentido horário em países localizados no hemisfério sul; no sentido anti-horário no hemisfério norte e sem rotação em locais na linha do equador. Dessa forma, no Brasil a água irá escoar de 3 maneiras diferentes, para à direita, para à esquerda ou sem rotação, pela presença da linha do equador. Será que isso é mito ou verdade?

Essa idéia é bastante difundida. Já foi, inclusive, utilizada em alguns programas de TV. Num dos episódios dos Simpsons, Bart e Lisa, acompanham, na pia do banheiro, uma corrida entre um tubo de pasta e um vidro de xampu, apostam qual dos dois afunda primeiro no redemoinho formado pela água descendo pelo ralo. Bart perde a corrida, mas argumenta que se a água tivesse girado para o outro lado teria vencido. Lisa, então, explica a Bart que "a água nunca gira no outro sentido. No hemisfério norte a água sempre gira no sentido anti-horário! É o chamado Efeito de Coriolis". Bart indignado com a derrota e no que acredita ser as “leis de Lisa”, usa o telefone em ligações internacionais para países do hemisfério sul indagando as pessoas em que sentido a água gira no ralo de seus banheiros.

Num dos episódios da série de TV “Arquivo X”, durante uma investigação de assassinato numa escola, Mulder percebe que há alguma coisa de errado, pois a água do bebedouro escoa no sentido horário, que segundo o efeito Coriolis, isso não deveria ocorrer dessa forma.

A rede de lanchonetes McDonald’s já utilizou nos papéis que forram suas bandejas curiosidades científicas sobre a água, entre as quais, a de que "a água escoa pelo ralo no sentido horário no hemisfério sul e no sentido anti-horário no hemisfério norte".
Mesmo na internet, no site do Youtube é possível ver diversos vídeos mostrando experiências de como a água escoa, dependendo do hemisfério em que a experiência foi realizada. Um desses vídeos será analisado por nós, numa outra oportunidade.
Em se tratando, de grandes camadas de ar que entram em movimentos de rotação, dando origem aos ciclones, de fato, eles giram no sentido anti-horário no hemisfério norte e rotacionam no sentido horário no hemisfério sul. Os movimentos das correntes oceânicas também obedecem a essa mesma dinâmica.
Veja um ciclone no hemisfério norte
Foto: no-chaos.com

Ciclone no hemisfério sul

Foto: no-chaos.com

Então, a água escoa girando no sentido horário no hemisfério sul, no anti-horário no Norte e sem rotação sobre a linha do equador? Como isso se explica? Isso é mito ou verdade?

No próximo post, a verdade sobre esse fato!

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

O astrofísico Stephen Hawking deixa cadeira de Matemática em universidade

O Autor do Best-seller Uma Breve História do Tempo atingiu idade limite para ocupar cargo. Entretanto, continuará trabalhando em Cambridge.
Foto: AP/Keystone, Salvatore Di Nolfi
O astrofísico Stephen Hawking, autor do Best-seller Uma Breve História do Tempo, a partir de hoje, estará deixando a Universidade de Cambridge, onde era titular da cadeira Lucasiana de Matemática, que já foi ocupada por Isaac Newton. O motivo da aposentadoria de Hawking é que ele atingiu 67 anos, idade limite para ocupar o cargo, depois de prestar três décadas de serviço à universidade.

Hawking sofre de uma doença grave degenerativa, que o obriga a se comunicar através de um sintetizador de voz acoplado a sua cadeira de rodas, entretanto, será o diretor de pesquisa do departamento que cuida das áreas de matemática aplicada e física teórica na mesma universidade.

A expectativa, agora, passa a ser em relação ao nome de seu sucessor, que deverá ser anunciado em breve.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Reinício dos treinos

Após cumprir os 21 km da Meia Maratona do Rio e sentir lesão na panturrilha, semanas somente de recuperação.
Depois de duas semanas da participação na Meia do Rio, nada de treinamento intenso. A rotina continua sendo de recuperação. Nos primeiros sete dias, apenas descanso sem qualquer atividade física e fisioterapia para recuperar a lesão na panturrilha. Semana passada ensaiei umas corridinhas leves, mas nada de treinamento forte e, ainda, continuei com a fisioterapia.
Esta semana, entretanto, retomo minhas atividades normais, seguindo o planejamento anterior, com as planilhas, musculação e pilates. Portanto, a programação da semana ficou assim:
SEG: Musculação / 45' de corrida leve;
TER: 10' corrida leve, 6 tiros de 500m e 10' corrida leve;
QUA: Musculação / Pilates.
QUI: Fartlek - 8 x (3' de corrida leve por 2' de corrida forte);
SEX: Musculação / Pilates;
SÁB: 8km em ritmo leve;
DOM: Descanso.
Na próxima semana tem mais...

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Equinócio de Primavera

Macapá se prepara para o Equinócio de Primevera

Macapá é a única capital do Brasil cortada pela linha do equador. Tal privilégio geográfico, permite que sua população acompanhe um dos mais belos fenômenos da natureza, o equinócio.

O equinócio é o momento em que o sol, em seu movimento aparente (visto da Terra), cruza o plano do equador celeste, ocasionando noites e dias com a mesma duração. Isso ocorre duas vezes ao ano, nos meses de março e setembro, definindo a mudança das estações.

O Equinócio de primavera, nome dado no hemisfério sul, porque marca o início da primavera, acontecerá amanhã (22 de setembro), por volta das 18h18min35s. O evento atrai cientistas, estudantes, turistas e a comunidade local para o Monumento do Marco Zero de Equador, onde existe um obelisco, sobre o qual incide a luz solar e sua sombra é projetada exatamente sobre a linha do equador.
Durante essa semana, o sol estará “a pino” sobre as regiões localizadas próximas a linha do equador. Isso quer dizer que, ao meio-dia, a sombra de uma pessoa projetada sobre o solo, estará exatamente sob seus pés.

O Governo do Estado do Amapá, através da Secretaria de Turismo e de Mobilização Social, e em parceria com o Tribunal de Justiça do Amapá, preparou uma programação para os dias 21, 22 e 23 deste mês, no Monumento Marco Zero. Entre as atividades constam o casamento comunitário, oficinas, feiras e atrações culturais. Veja a programação abaixo:

DIA 21 DE SETEMBRO

18h Cerimônia de Casamento Comunitário no Meio do Mundo


DIA 22 DE SETEMBRO

16h Abertura da visitação ao Monumento Marco Zero do Equador

• Loja de Artesanato

• Vitrine Amapá “Espaço Saber Fazer”

• Feira de Plantas e Flores

• Massoterapia

• Oficina e Ikebana/ Shohinka

• Oficina de Teatro

• Caricaturismo

• Aplicação de Tatuagem Estilizada (Maracá e Cunani)

• Terapias alternativas (Massoterapia, pilates, acupuntura, estética, higienização facial, outros)

• Gastronomia ( Cafeteria)

• “Conhecendo o Meio do Mundo” Experiências Cientificas


17h Cerimônia de Abertura do Equinócio de Primavera

• Pronunciamento das autoridades

• Entrega do Titulo de Cidadão Amapaense ao Professor Marcomedes Rangel

• Apresentação de violinistas


18h18m35s: Observação do Fenômeno do Equinócio (Horário oficial do Equinócio de Primavera) 19h Atração Cultural

20h Projeto Botequim (SESC) - (Palco Primavera)


DIA 23 DE SETEMBRO

08h Tai-Chi-Chuam (Maloca) Yoga (Maloca)

09h às 12h das 15h às 19h

• Oficina de Ikebana/Shohinka

• Oficina de Teatro

• Terapias alternativas (Massoterapia, pilates, acupuntura, estética, higienização facial, outros)

• Vitrine Amapá “Espaço Saber Fazer”

• Loja de Artesanato

• Caricaturismo

• Aplicação de Tatuagem estilizada (Maracá e Cunani)

• Gastronomia (Cafeteria)

• Feira de Flores e Plantas

• “Conhecendo o Meio do Mundo” Experiências Cientificas


20h

• Atrações Culturais

• Apresentação de Marabaixo

• Ramom e Banda


23h ENCERRAMENTO

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Poesia de Osmar Junior

Ave de Rapina

Já não tenho mais meus passos
Já não tenho mais espaço
Já não tenho mais meus olhos
De tanto ver o tempo passar

Passa por mim
Como se não me fizesse mal
As estradas dos meus sonhos
Onde te vi caminhar
E assim eu vou...

Pois a falta do teu corpo
Fez selvagem em meu olhar
Fera que se fere
Tem muitas razões para lutar
Possui a dor...

Com a ausência dos teus olhos
Eu corri atrás da cor do mar
Feito ave de rapina
Antes da chuva cair
Fugir no ar...

Corrida do Círio 2009

A 26ª edição da Corrida do Círio 2009, ocorrerá no dia 25 de outubro, em Belém do Pará. Esta é um dos maiores eventos do esporte paraense. É a principal prova de rua do Norte/Nordeste e reune grandes estrelas do atletismo nacional e internacional, além de competidores de todo o país e participação maciça da população paraense.

A prova tem percurso de 10km e é oficilaizada pela Confederação Brasileira de Atletismo. Possui infra-estrutura comparada as grande provas de rua do circuito nacional. Ela percorre as principais ruas de Belém, reunindo cerca de 4 mil corredores.

A Corrida do Círio faz parte do calendário de eventos de comemoração do Círio de Nossa Senhora de Nazaré e encerra as suas atividades.

Percurso da Corrida do Círio

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Nova etapa de treinamento

Depois cumprir a meta de correr a Meia Maratona Internacional do Rio de janeiro, no último dia 6 de setembro, uma nova etapa de treinamento será inciada. A próxima prova do meu calendário, para esse ano, será a Corrida do Círio, em Belém, no Estado do Pará. Ela tem percurso de 10km e ainda não tem data confirmada, mas levando-se em conta a data dos anos anteriores, ela provavelmente ocorrerá, ou no dia 24 ou 25 de outubro.

Já participei de quatro edições dessa corrida. Em 2006, fiz o meu melhor tempo 46min29s. O que, aliás, é o meu recorde na distância. Esse ano tenho grandes possibilidades de bater ou chegar próximo dessa marca, tendo em vista, o nível de condicionamento que me encontro.

Tenho uma relação especial com essa prova. Tanto que, nos anos de 2006 e 2007, ela foi a única competição de que participei. Isso, se deve a uma promessa que fiz em 2006 e a partir daí, venho cumprindo, anos após ano.

Portanto, serão 6 semanas de treinamento, com quatro dias de treinos, divididos em um regenerativo, um de velocidade, um de ritmo e outro longo. É bem verdade que, após as 23 semanas usadas na preparação para a Meia do Rio, desenvolvi uma boa resistência. Agora, é trabalhar para melhorar o ritmo e a velocidade.

Além da planilha, fazem parte da preparação: a musculação e pilates. A musculação é para fortalecer a musculatura usada na corrida e o pilates, para melhorar o alongamento, a postura e a respiração.

Extraído do blog Maraturista http://maraturistarunningclub.blogspot.com/

domingo, 13 de setembro de 2009

Quenianos fazem a festa na Meia Maratona do Rio de Janeiro

Os quenianos Elias Kemboi e Eunice Kirwa venceram os 21,1 km da 13ª Meia-maratona do Rio, nas categorias masculina e feminina. Giomar Pereira da Silva e Marily dos Santos foram os brasileiros mais bem colocados, terminando em terceiro lugar nas duas categorias.

Com temperatura amena de 22 graus, tempo encoberto, 72% de umidade relativa do ar e clima abafado, favoreceram os estrangeiros. Os brasileiros apostavam num clima quente para vencê-los, o que não aconteceu.

A largada da prova foi na Praia de São Conrado e os atletas percorreram a orla do Rio, passando pelas praias do Leblon, Ipanema, Copacabana, Leme, Botafogo e a chegada na praia do Flamengo.

A largada, no masculino, foi dada às 9 horas e os quenianos dominaram toda a prova, estando sempre no pelotão da frente e ditando o ritmo. No final, Elias Kemboi (Quênia/Nike) completou o percurso em primeiro, com o tempo de 1h02min51s, seguido de Joshua Kemei (Quênia/Fila) com 1h03min36s e do brasileiro Giomar Pereira da Silva (Cruzeiro/CAIXA) com 1h03min59s. O resultado no masculino ficou assim:

1- Elias Kemboi (Quênia/Nike) – 1h02min51s
2- Joshua Kemei (Quênia/Fila) – 1h03min36s
3- Giomar Pereira da Silva (Cruzeiro/CAIXA) – 1h03min59s
4- Titus Kibii (Quênia/Fila) – 1h04min09s
5- Tadese Aredo (Etiópia/Fila) – 1h04min17s
6- Paulo Roberto Paula (Mizuno/Rede) – 1h04min26s
7- Raimundo Nonato Aguiar (Pé de Vento/Facitec) – 1h04min35s
8- Franck Caldeira (Cruzeiro) – 1h05min19s
9- Luís Paulo Antunes (Cruzeiro) – 1h05min48s
10- Ayele Feisa (Etiópia/Fila) – 1h06min16s

No feminino, a queniana Eunice Kirwa e a etíope Meseret Debele forçaram o ritmo no final da prova e ultrapassaram a brasileira Marily dos Santos, que dominou a prova até o km 20. Mesmo assim, ela comemorou bastante o terceiro lugar. O resultado final, no feminino, ficou assim:

1- Eunice Kirwa (Quênia/Fila) – 1h14min07s
2- Meseret Debele (Etiópia/Fila) – 1h14min28s
3- Marily dos Santos (Mizuno/CAIXA) – 1h14min49s
4- Cruz Nonata da Silva (BMF&Bovespa) – 1h15min29s
5- Marizete Moreira dos Santos (Caso/CAIXA) – 1h16min01s
6- Margaret Okayo (Quênia/Nike) – 1h16min25s
7- Andrea Celeste Benites (Bioleveve/Runners) – 1h16min48s
8- Conceição de Maria Carvalho (FindYourSelf/CAIXA) – 1h17min19s
9- Birhane Geletu (Etiópia/Fila) – 1h17min36s
10- Lucélia Peres (Mizuno/Upis) – 1h17min43s

A Meia Maratona Internacional do Rio de Janeiro é uma realização da Rede Globo, com organização da Yescom, patrocínio da CAIXA, Adidas e Fisk, apoio de Gatorade, Montevérgine, 3 Corações, HCor, TAM Viagens e apoio especial da Prefeitura do Rio de Janeiro. A supervisão é da IAAF, AIMS, Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt) e Federação de Atletismo do Rio de Janeiro (Farj).

domingo, 16 de agosto de 2009

PROPOSTAS

Os resultados não indicam que há emissão de campos eletromagnéticos em níveis que configurem poluição eletromagnética nas áreas assinaladas como pontos de 1 a 4, o que só pode ser feito através de medições com equipamentos de banda larga e estreita. Entretanto, são indicativos de locais que devem ser priorizados no caso de monitoramento por parte dos órgãos ambientais, pelo número de fontes emissoras ali presentes.

Nos demais locais, não referenciados nos pontos 1, 2, 3 e 4, onde há uma pequena concentração de antenas, não exclui-se a possibilidade de não atendimento aos limites de exposição adotados pela ANATEL, pois, não há controle e nem monitoramento dos níveis de emissões de campos eletromagnéticos dessas fontes, após a sua instalação e operação.

Do ponto de vista da gestão do ambiente eletromagnético, observou-se que a legislação tanto no âmbito nacional, regional e local, quando existe, é muito precária. Há uma preocupação demasiada em fixar limites padrões de exposição ao público em geral, sem, no entanto, operacionalizar os aspectos da gestão ambiental em todo o processo de concessão, instalação e operação das antenas.

No município de Macapá-AP, área delimitada do presente estudo, não há legislação específica sobre a matéria. Em alguns casos, a instalação de antenas, contraria o que as cidades que já dispõem de legislação estabeleceram, quando proprietários de imóveis autorizam, mediante pagamento, operadoras de telefonia celular a instalar ERBs em suas propriedades. O que exemplifica a falta de critérios e a necessidade de estabelecimento de procedimentos por parte do poder público.

Com base no acima exposto, sugere-se algumas propostas com vistas à gestão ambiental da poluição eletromagnética:

a) elaboração de legislação específica tanto no âmbito estadual, quanto municipal, para regulamentar os padrões urbanísticos, sanitários e ambientais, estabelecendo locais adequados para instalação de antenas; limite de exposição de densidade de potência para o público em geral e ocupacional; estudos de natureza ambiental e urbanística, para instalação e início de operação de antenas; distância mínima das antenas aos imóveis circunvizinhos; controle e fiscalização por parte do órgão ambiental responsável; penalidades e responsabilidade dos proprietários dos equipamentos por danos ambientais;

b) exigência do cumprimento das regulamentações existentes sobre o uso do solo e ocupação do espaço urbano;

c) na instalação de ERB deve ser comprovado que a intensidade da densidade de potência em locais acessíveis à população em geral atende aos exigidos pela ANATEL.

d) estabelecimento de etapas de licenciamento ambiental nas antenas que deverão ser instaladas e o monitoramento da que já estão em funcionamento;

e) proceder gestões junto a ANATEL exigindo que a operadora não obtenha a outorga de uso sem que antes tenha licenciado junto à prefeitura.

sábado, 15 de agosto de 2009

ANÁLISE DA PEM

Para efeito de análise, foram definidos quatro pontos de estudo, onde estão concentrados os maiores números de estações por área de amostragem. Os pontos estão localizados em áreas urbanas sem barreiras e com imóveis residenciais nas redondezas das antenas irradiantes. Ressalte-se que, ao nível do solo, nessas áreas próximas às antenas, encontram-se os chamados “pontos quentes” onde os campos elétricos (E) e magnéticos (H) atingem intensidades elevadas.

O número de antenas por área de amostragem foi dividido da seguinte forma:
· Ponto 1: Rua Hildemar Maia entre Av. Desidério Antonio Coelho e Av. Maria Quitéria
· Ponto 2: Av. Diógenes Silva entre Rua Barão de Mauá e Claudomiro de Moraes
· Ponto 3: Av. João Batista Coutinho; Av. Maria de Nazaré Brito de Souza e Av. Domingos Amorim
· Ponto 4: Rua Eliezer Levy entre Av. Nações Unidas e Av. Mãe Luzia

Os pontos 1 e 4 apresentaram número de fontes emissoras maior do que os outros estudados. Em ambos, há grande concentração e freqüência de pessoas, o que pode ser considerado preocupante e configurar região de risco potencial de poluição eletromagnética, pelo somatório dos campos emitidos. No ponto 1 foi identificado a maior diversidade de fontes entre ERB, antena de TV, FM e AM.

Nos pontos 1, 2 situados no bairro do Buritizal e 3 no Novo Buritizal, há uma discreta conexão entre as áreas sedes das antenas, conforme se observa no mapa do “post” anterior (13/08/2009), o que por si só não justifica risco imediato aos moradores. Entretanto, apesar das distâncias entre si, deve-se observar que, a instalação de novas antenas em pontos intermediários, pode produzir áreas de risco potencial, pelo somatório dos campos eletromagnéticos das novas antenas e das áreas assinaladas.

A área identificada como ponto 4 é adjacente a um centro cultural e uma escola da rede pública estadual, onde há concentração de grande número de pessoas. Nesse caso, há a necessidade de comprovação de que a intensidade da densidade de potência nessa área atende aos limites exigidos pela ANATEL.

Em alguns pontos, constatou-se a instalação de ERBs na área interna de imóveis residências. Segundo recomendações do IPT, áreas próximas das antenas instaladas em prédios ou em locais acessíveis à população em geral devem ter acesso controlado, para impedir que as pessoas possam tocá-la ou se colocarem muito próximas na direção de seu lóbulo principal. Observou-se, ainda, a proximidade de antenas à postos de saúde, escolas e áreas de lazer.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

PEM em Macapá (II)

DISTRIBUIÇÃO ESPACIAL

De acordo com os dados da ANATEL (2004) são 54 fontes de emissão de campos eletromagnéticos na faixa de freqüência em estudo, que englobam os serviços de celular e radiodifusão TV, FM e AM, distribuídas nos bairros da cidade de Macapá, tal como indicado abaixo. O bairro do Buritizal concentra maior número de antenas instaladas em atividade, tendo inclusive a maior diversidade, apresentando fontes de todos os tipos de serviços objeto deste estudo. Ressalte-se que algumas torres apresentam mais de uma antena, o que caracteriza várias fontes emissoras de energia eletromagnética em uma mesma torre, sendo, no entanto, catalogadas de forma individual.

Dado a extensão territorial da área urbana do município de Macapá, algumas antenas encontram-se em pontos distantes entre si, sem possibilidade dos campos emitidos atuarem de forma conjunta, uma vez que a radiação eletromagnética reduz-se com o quadrado da distância, entretanto, foi possível caracterizar quatro áreas de maior concentração de antenas, sendo duas no bairro do Buritizal, uma no Novo Buritizal e uma no bairro do Laguinho, que foram objeto de análise.

Foram catalogadas 54 antenas divididas entre os sistemas de celular, TV, FM e AM. Dentre essas, 10 foram localizadas no bairro do Buritizal, sendo distribuídas em dois pontos, à saber: Ponto 1, na Rua Hildemar Maia no trecho compreendido pelas avenidas Desidério Antonio Coelho e Maria Quitéria, com 6 antenas e, Ponto 2, na Avenida Diógenes Silva entre ruas Barão de Mauá e Claudomiro de Moraes, com três; 10 no Central, mas dispersas entre si; 4 no Novo Buritizal, concentradas na Av. João Batista Coutinho; Av. Maria de Nazaré Brito de Souza e Av. Domingos Amorim, configurando o Ponto 3 e, 4 no Laguinho, na Rua Eliezer Levy entre Av. Nações Unidas e Av. Mãe Luzia, designado por Ponto 4. No post seguinte analisaremos essas áreas, com maior incidência de antenas e por conseguinte, maior risco potencial de poluição eletromagnética.

sábado, 8 de agosto de 2009

PEM em Macapá (I)

A pesquisa estudou a emissão de campos eletromagnéticos no ambiente pelo número total de fontes presentes no meio urbano de Macapá-AP, em função da população exposta aos efeitos causados pela radiação na faixa de freqüência da radiofreqüência de 9 kHz à 300 GHz. A obtenção da intensidade dos níveis da densidade de potência se dá através de cálculo teórico e/ou de medições através de equipamentos. Entretanto, devido a falta de dados, de propriedade das prestadoras de serviço, para subsidiar os cálculo teóricos e de equipamento para as medições em campo, a metodologia empregada para estimativa do nível de poluição eletromagnética no ambiente é estabelecida em função do número de fontes (antenas) presentes em determinada área, de acordo com os dados da ANATEL, uma vez que, a intensidade do nível de campos eletromagnéticos é o somatório dos campos irradiados por todas as fontes em funcionamento naquela região espacial. Esse método permite identificar áreas potenciais de risco de poluição eletromagnética na área urbana do município de Macapá-AP, como resultado do número de fontes emissoras presentes no meio ambiente.

Ressalte-se que, o fato de os demais locais concentrarem um número reduzido de fontes não significa que não há poluição eletromagnética, pois, caso não atendam aos limites estabelecidos pela ANATEL, é possível que ocorra a emissão de campos eletromagnéticos acima do permitido, caracterizando a degradação do ambiente. A verificação, neste caso, pode ser efetuada através de medições com equipamentos de banda estreita, que medem a potência da fonte desejada. Por outro lado, considerando que as fontes encontram-se dentro dos padrões de emissão, estatísticamente, a possibilidade de ocorrência de níveis elevados de poluição eletromagnética no ambiente, será maior onde houver o maior número de fontes, uma vez que o campo resultante será o somatório da contribuição de todas as fontes presentes naquela região.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

GESTÃO AMBIENTAL DA POLUIÇÃO ELETROMAGNÉTICA

Pesquisadores apontam que a solução dos problemas relacionados às questões ambientais deve ser buscada em conjunto, através de medidas e discussões envolvendo a atuação do poder público, a iniciativa privada, a classe política, as organizações não governamentais, e a sociedade como um todo, nas três esferas: local, regional e nacional.

No entanto, não há no Brasil uma legislação efetiva que regulamente os aspectos ambientais da poluição eletromagnética. Algumas normas e regulamentos, editados pela ANATEL, de serviços de telecomunicações, estabeleceram de forma genérica e vaga, a necessidade de atendimento aos limites de exposição à campos eletromagnéticos de radiofreqüência.

Por outro lado, para Souza Filho (2002), para se inibir a degradação do meio ambiente eletromagnético deve-se desenvolver uma regulamentação rigorosa. Para Brito & Câmara (1998) na gestão do meio ambiente o poder publico precisa agir “para que não tenhamos um desenvolvimento desordenado, sem controle e sem diretrizes básicas de uso e ocupação das terras, dos solos e subsolos, que têm posto em risco a diversidade de ambiente, de espécies e dos ecossistemas brasileiros”.

Nesse sentido, alguns municípios adotaram normas e procedimentos, para regulamentar a instalação de torres e antenas em logradouros públicos, condicionando a instalação desses equipamentos ao cumprimento, pela concessionária, de posturas municipais, quanto ao controle do uso, do parcelamento e da ocupação do solo urbano, exigindo, inclusive, o licenciamento ambiental. Tais medidas, além de buscarem estabelecer os parâmetros a serem adotados como limite de exposição da população a emissão de campos eletromagnéticos não ionizantes por unidade geradora ou pelo somatório das radiações produzidas pelas diversas fontes, definem também, além dos métodos de medição das emissões, o processo fiscalizatório e o órgão responsável pelo seu gerenciamento.

As estações de radiobase (ERBs) não se encontram entre os empreendimentos sujeitos ao licenciamento ambiental definidos na Resolução do CONAMA nº. 237, de 19 de dezembro de 1997. Entretanto, como trata-se de uma atividade potencialmente poluidora, algumas cidades adotaram os procedimentos definidos para os empreendimentos referidos na citada resolução, tais como: estudo prévio de impacto ambiental (EPIA), relatório de impacto sobre o meio ambiente (EIA/RIMA) e licença ambiental.

A gestão da poluição eletromagnética nas cidades brasileiras tem centrado os trabalhos aos seguintes aspectos: estabelecimento de locais para instalação de antenas; limite de densidade de potência; exigência dos estudos de natureza ambiental e urbanística, para instalação e início de operação de antenas; distância mínima das antenas aos imóveis circunvizinhos; controle e fiscalização por parte do órgão ambiental responsável; penalidades e responsabilidade dos proprietários dos equipamentos por danos ambientais.


quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Normas e regulamentos técnicos (IV)

Regulamentação estadual e municipal

Devido a falta de legislação ambiental federal no Brasil sobre a matéria, alguns municípios decidiram estabelecer limites para a exposição humana à radiação eletromagnética e critérios para instalação de ERBs e de equipamentos afins, para minimizar os efeitos danosos da poluição eletromagnética.

Algumas cidades criaram legislação municipal, estabelecendo seus próprios limites, quando da instalação de novos sistemas de telecomunicações, ou de equipamentos que emitem campos eletromagnéticos. Os limites levam em consideração medidas a serem realizadas nos locais de interesse, de maneira que a antena a ser instalada não produza níveis que, somados aos campos já existentes, excedam as normas padrões. Outro aspecto que vem sendo regulamentado a nível municipal é a edificação de torres para instalação de antenas. Algumas cidades não permitem a instalação desses equipamentos nos centros e algumas áreas da cidade.

Com base na sua competência de “promover, no que couber, controle do uso, do parcelamento e da ocupação do solo urbano”, prevista no art. 30, inciso VIII, da Constituição Federal, os municípios hoje já podem exigir licença urbanística (alvará de construção) e caso previsto em lei, licença ambiental para a instalação desses equipamentos.

Segue abaixo os principais pontos regulados pela legislação dos seguintes municípios:

i) “Porto Alegre: vedação de instalação em determinados locais; condições de instalação no que tange a limites de potência; apresentação de estudo de viabilidade urbanística; licenciamento junto à Secretaria Municipal de Obras e Viação; controle das radiações pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente; prazo para adequação das ERBs já instaladas; e penalidades.

ii) Campinas: estabelecimento de limites de densidade de potência para instalação de antena transmissora; controle por parte da Secretaria Municipal da Saúde; distância mínima em relação à divisa de imóvel vizinho; exigência de laudo radiométrico; e exigência de alvará sanitário para entrada em operação das antenas transmissoras.

iii) Chapecó: estabelecimento de limites de densidade de potência para instalação de antena transmissora; controle pelo Departamento de Vigilância Sanitária; distância mínima em relação a imóveis confinantes; prazo para adequação de antenas já instaladas; exigências para instalação e início de operação de antenas; exigência de alvará sanitário para entrada em operação de antenas; penalidades; e responsabilidade dos proprietários dos equipamentos por danos ambientais e sanitários.

iv) Juiz de Fora: estabelecimento de limites de densidade de potência; vedação da instalação de antenas em determinados locais; distância mínima de instalação em relação a clínicas, centros de saúde e hospitais”.

A seguir a tabela mostra os valores adotados por algumas cidades brasileiras, através de leis ou decretos municipais, comparando-os com os níveis recomendados pela ANATEL/ICNIRP.

Segundo alguns pesquisadores não há nenhum impedimento para que os Estados disciplinem a instalação de ERBs, uma vez que cabe ao órgão ambiental estadual exigir licença ambiental para a instalação dessas antenas, segundo o que estabelece o art. 10 da Lei nº 6938, de 1981. O Estado pode estabelecer critérios para a localização da instalação de antenas do serviço móvel celular, através de lei. A Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo utilizou essa prerrogativa e promulgou a Lei nº. 10995, de 21 de dezembro de 2001, sobre a instalação de antenas do serviço móvel celular nesse Estado. Esta lei estabeleceu o nível de emissão de campos eletromagnéticos com densidade de potência de 4,35 W/m² somando o campo da nova antena com aqueles gerados por antenas que já estão em funcionamento.
VALORES ADOTADOS EM ALGUNS MUNICÍPIOS

Município/ BH / Curitiba / Porto Alegre / Campinas / Bauru / São José dos Campos
Valor adotado/ Lei municipal / Idem / Idem / Idem / Idem / Idem
Densidade de potência/ 4,35 / 4,35 / 5,80 / 1,00 / 1,00 / 0,10
Comparação com a ICNIRP/ Igual / Igual / Maior / Menor / Menor / Menor


Na Bahia o Conselho Estadual do Maio Ambiente - CEPRAM, através da Resolução nº. 2494 de 22 de setembro de 2000, adotou normas de proteção para áreas onde estão presentes hospitais, creches e clínicas médicas com densidade de potência que não poderá exceder 0,01 W/m² e para as demais áreas 0,21 W/m². A tabela abaixo mostra os valores adotados pelos Estados de São Paulo e Bahia, comparando-os com os níveis recomendados pela ANATEL/ICNIRP.
VALORES ADOTADOS EM ALGUNS ESTADOS
Estado/ SP / BA
Valor adotado/ Lei estadual / Idem
Densidade de potência/ 4,35 / 0,21
Comparação com a ICNIRP/ Igual / Menor

No Amapá não há legislação específica regulamentando os níveis de exposição da população em geral a campos eletromagnéticos e tão pouco, regras para a instalação e construção de antenas do serviço de radiodifusão e celular na faixa da radiofreqüência, seja no âmbito estadual como no municipal, até o momento da finalização deste trabalho.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Normas e regulamentos técnicos (III)

REGULAMENTAÇÃO NO BRASIL

Regulamentação federal

A exploração do serviço móvel celular no Brasil, até meados de 1990, cabia as empresas estatais, que também eram responsáveis pela exploração da telefonia fixa. Com o processo de privatização do serviço de telecomunicações, entraram em operação as empresas privadas, onde o Ministério das Comunicações era responsável, até meados de 1997, pela outorga e fiscalização das prestadoras da telefonia móvel celular, na qual obedeciam ao Decreto nº. 2056, de 4 de novembro de 1996 (Regulamento do Serviço Móvel Celular). Com o advento da Lei nº. 9472, de 16 de julho de 1997 (Lei Geral de Telecomunicações), foi regulamentado uma nova estratégia de exploração dos serviços de telecomunicações, através da criação de um órgão regulador a ANATEL. A esta agência reguladora compete, entre outras funções, expedir e extinguir autorização para exploração do serviço móvel celular, fiscalizando e aplicando sanções; expedir normas e padrões a serem cumpridos pelas prestadoras quanto aos equipamentos que utilizarem e expedir ou reconhecer a certificação de produtos, observados os padrões e normas por ela estabelecidos.

Assim, a ANATEL é a responsável pela regulamentação brasileira de telecomunicações no âmbito federal. No entanto, até 1999 não havia regulamento específico estabelecendo limites de exposição para serem adotados pelas prestadoras do serviço móvel celular, referente à instalação de ERBs. Só a partir de 15 de julho de 1999, o Conselho Diretor da ANATEL decidiu adotar, como referência provisória para avaliação da exposição humana a publicação da ICNIRP “Guidelines for Limiting Exposure to Time-Varying Eletric, Magnetic, and Eletromagnetic Fields (Up to 300 GHz), Health Physics, Vol 74, pg 494-522, 1988”. Este documento foi traduzido pela ABRICEM e publicado para consulta pública e encaminhado às empresas prestadoras dos serviços de telecomunicações, orientando quanto à adoção dos limites da ICNIRP, até elaboração de regulação definitiva sobre a matéria. Em 2002 o conselho diretor da ANATEL publicou a Resolução nº. 303, que aprova o regulamento sobre limitação da exposição a campos elétricos, magnéticos e eletromagnéticos na faixa de radiofreqüências entre 9 KHz e 300 GHz (IPT, 2002). Os limites de exposição ocupacional e da população em geral, estabelecidos na citada resolução, estão expressos, respectivamente, nas tabelas abaixo:

LIMITES PARA EXPOSIÇÃO OCUPACIONAL A CAMPOS ELETROMAGNÉTICOS DE RADIOFREQÜÊNCIA (CEMRF) NA FAIXA DE RADIOFREQÜÊNCIAS ENTRE 9 KHZ E 300 GHZ (VALORES EFICAZES NÃO PERTURBADOS)
Faixa de freqüência/9KHz a 65KHz/0,065MHz a 1MHz/1MHz a 10MHz/400MHz a 2GHz/2GHz a 300GHz
Intensidade de Campo E(V/m)/ 610/610/610: f/61/3f½/137
Intensidade de Campo H(A/m)/ 24,4/1,6: f/1,6: f/0,16/0,008f½/0,36
Densidade de Pot. da onda plana Seq (W/m²)/-/-/-/10/f:40/50


LIMITES PARA EXPOSIÇÃO DA POPULAÇÃO EM GERAL A (CEMRF) NA FAIXA DE RADIOFREQÜÊNCIAS ENTRE 9 KHZ E 300 GHZ (VALORES EFICAZES NÃO PERTURBADOS)

Faixa de freqüência/9KHz a 65KHz/0,065MHz a 1MHz/1MHz a 10MHz/400MHz a 2GHz/2GHz a 300GHz
Intensidade de Campo E(V/m)/ 87/87/87:f½/28/1,375f½/61
Intensidade de Campo H(A/m)/ 5/0,73:f/0,73:f /0,073/0,0037f½/0,16
Densidade de Pot. da onda plana Seq (W/m²)/-/-/-/2/f:200/10

Aplicando-se os limites para exposição de seres humanos acima às radiações do serviço celular na faixa de freqüência de 869 a 894 MHz, utilizada pelo sistema de telefonia sem fio, para emissões de ERBs, os níveis recomendados, para freqüência de 869 MHz, de Intensidade de campo elétrico da exposição máxima permitida foi de 40 V/m e a densidade de potência da exposição máxima permitida em 4,35 W/m². Nesse cálculo foi utilizada a menor freqüência para emissões a partir da ERB, para obtenção do nível mais conservador para a faixa (ANATEL, 2002).

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Normas e regulamentos técnicos (II)

REGULAMENTAÇÃO NO EXTERIOR

A ICNIRP é uma organização não governamental reconhecida ela OMS e pela Organização Internacional do Trabalho - OIT, cujo objetivo é a normalização de questões relativas a radiação não ionizante. As normas estabelecidas pela ICNIRP são aceitas internacionalmente. A sua principal publicação, que serviu de base para a limitação dos níveis de exposição no Brasil, através de resolução da ANATEL, traz as principais indagações da comunidade científica sobre a matéria. No entanto, esse organismo não considera os efeitos não térmicos de longa duração na definição dos limites, pois, considera de que ainda não foi estabelecido, por métodos científicos a existência da associação entre a exposição a energia eletromagnética de baixa intensidade e efeitos adversos à saúde (IPT, 2002).

Com base nesses parâmetros vários países vêm adotando medidas para estabelecer limites de exposição da população à radiação proveniente de ERBs. Alguns estabeleceram limites próprios, outros consideraram os limites estabelecidos pelos organismos citados na tabela abaixo.

Os Estados Unidos adotam o padrão FCC/ANSI/IEEE, que estabelece valores de densidade de potência para a população em geral na faixa de telefonia celular são iguais a f/150, discretamente superior àqueles do ICNIRP que é f/200, sendo f dado em MHz (IPT, 2002).

Em 1999 a União Européia aprovou as diretrizes da ICNIRP e recomendou ao Conselho Europeu a sua utilização. No entanto, países como a Itália e a Suíça adotaram padronizações próprias. O governo italiano fixou o limite de exposição para o público em geral na faixa do serviço móvel celular de 1W/m² e para pessoas expostas continuamente por mais de quatro horas o limite é reduzido para 0,1W/m², correspondendo a densidade de potência 40 vezes menor àquela adotada pela ICNIRP. Esse valor pode ainda ser reduzido cerca de 4 vezes mais baixo e atingir o limite de 0,025W/m² (Tavares, 2001).

Já o governo suíço em 1999 editou o Regulamento para Proteção contra Radiação Não Ionizante. Esse regulamento fixou, para o serviço de telefonia celular, limites de exposição muito menores que os estabelecidos pelos organismos de padronização, cerca de 106 vezes menor, com valores de densidade de potência de 0,042W/m² (IPT, 2002).
A Rússia adota, desde 1959, os valores de proteção de exposição ao público de 0,01W/m². Na tabela abaixo estão os valores de exposição a campos eletromagnéticos provenientes da telefonia celular adotados por alguns países.


VALORES ADOTADOS EM ALGUNS PAÍSES
País / Recomendação adotada / Densidade de potência (W/m²) / Comparação com a ICNIRP

Brasil / ANATEL / 4,35 / Igual
Estados Unidos / FCC-ANSI-IEEE / 5,80 / Maior
Canadá / CCG / 5,80 / Maior
Inglaterra / ICNIRP / 4,35 / Igual
Escócia / ICNIRP / 4,35 / Igual
Irlanda / ICNIRP / 4,35 / Igual
Alemanha / ICNIRP / 4,35 / Igual
Grécia / ICNIRP / 4,35 / Igual
Nova Zelândia / ICNIRP / 4,35 / Igual
Austrália / ICNIRP / 4,35 / Igual
Rússia / Própria / 0,01 / Menor
Suíça / SFC / 0,042 / Menor
Itália / MDA / 0,025 / Menor

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Normas e regulamentos técnicos (I)

Com o crescimento da utilização de equipamentos elétricos e eletrônicos, dentre os quais pode-se citar o telefone celular, que irradiam campos eletromagnéticos, várias publicações científicas sugerem haver ligação entre esses campos e efeitos biológicos de natureza não térmica. Outros, no entanto, afirmam não haver tal ligação, ou pelo menos não podendo estatisticamente ser comprovada. Essas publicações são analisadas por especialistas de órgãos ou agências reguladoras dos países, visando selecionar os artigos relevantes e confiáveis para subsidiar a emissão de normas e recomendações técnicas que estabelecem limites considerados seguros para a população e usuários dos sistemas (Paulino, 2001).

As normas levam em consideração apenas o efeito térmico das radiações eletromagnéticas e são baseadas em experimentos que indicaram que a exposição de seres vivos, por um intervalo de tempo de 30 minutos à energia eletromagnética, em condições climáticas moderadas, com incidência da radiação de corpo inteiro, com SAR entre 1 a 4 W/kg, proporciona uma elevação de temperatura do corpo de 1 ºC. A partir deste dado fundamental, as diversas normas adotam este valor restritivo para definição de padrões de emissão de campos eletromagnéticos de ERBs (Costa e Silva, 2003).

Os principais institutos de padronização de segurança de renome internacional basearam a definição de seus parâmetros para a instalação de ERBs, em estudos dos efeitos térmicos da radiação não ionizante no corpo humano. Os organismos com padrões de segurança mais aceitos a nível internacional são: Institute of Eletrical and Eletronics Engineering - IEEE; American National Standards Institute - ANSI; International Comission on Non-Ionizing Radiation Protection - ICNIRP e National Council on Radiation Protection and Measurements – NCRP (Tavares, 2001). A Tabela abaixo expressa os limites máximos de densidade de potência para limitação da exposição do público em geral, estabelecidos pelas entidades citadas.

TABELA 10 - LIMITES MÁXIMOS DE DENSIDADE DE POTÊNCIA PARA LIMITAÇÃO DE EXPOSIÇÃO DO PÚBLICO EM GERAL
Organismo Densidade de potência (mW/cm²)
800 – 900 MHz / 1800 – 2000 MHz
ANSI / IEEE 0,57 / 1,20
ICNIRP 0,40 / 0,90
NCRP 0,57 / 1,00

Os limites da densidade de potência na faixa de freqüência de 800 a 900 MHz são mias rígidos que na faixa de 1800 a 2000 MHz, pois o tecido humano absorve mais radiação na faixa mais baixa de freqüência. A exposição para os seres humanos, segundo os institutos ANSI, ICNIRP e NCRP, deve ser mantida abaixo de uma SAR de 0,08 W/kg, que é uma margem de segurança de 50 vezes sobre o valor de 4 W/kg a partir do qual se observa efeitos biológicos sobre o corpo humano (Tavares, 2001).

Dado ao crescimento do número de instalações de antenas de rádio base, os governos dos diversos países vêm regulamentando a matéria, estabelecendo limites de exposição dos seres humanos à radiação proveniente das ERBs, adotando, em alguns casos, os padrões estabelecidos acima.

terça-feira, 28 de julho de 2009

Poluição Eletromagnética nas cidades

Nos centros urbanos das grandes cidades sempre houve uma concentração de fontes artificiais de radiação eletromagnética, onde principalmente, antenas transmissoras de rádio FM e TV irradiam energia eletromagnética no ambiente. Com o avento da telefonia celular, um número crescente de torres foram instaladas em zonas residenciais, cujos efeitos vieram a somar-se com os de outras fontes emissoras já em operação (Senise, 2002). Preocupados com o aumento dos níveis de radiação eletromagnética não ionizante no ambiente e os seus efeitos sobre a população, pesquisadores realizam estudos para medir o nível de intensidade dos campos eletromagnéticos irradiados em algumas cidades, dentre os quais, destaca-se:

i) Em São Paulo: Alessio Filho; Lamparelli & Hernandez (1987) realizaram medições das radiações não ionizantes presentes na Avenida Paulista do município de São Paulo, onde há uma concentração de pessoas e emissoras de FM e TV que operam na faixa de 55 MHz a 220 MHz. Os resultados obtidos indicam uma variação da densidade de potência de para o nível do solo até na cobertura do Edifício Gazeta, onde se encontra instalada uma torre de transmissão com algumas antenas irradiantes. Segundos os autores a área configura-se de risco potencial para a saúde ambiental, uma vez que os dados revelaram níveis de radiação superiores aos padrões russos, embora sejam inferiores aos critérios de proteção à saúde nos Estados Unidos e outros países.

O Instituo de Pesquisas Tecnológicas de São Paulo - IPT realizou medidas de campos eletromagnéticos nas proximidades de quatro ERB’s no campus da Universidade de São Paulo - USP, obtendo os resultados expressos na Tabela 1 (Fonte IPT). Esses resultados indicam, comparativamente com medidas realizadas em 1986 pela CETESB, que houve um aumento de 4,8 vezes na densidade de potência na região nos últimos 16 anos para a faixa de TV, VHF e FM.

TABELA 1 – DENSIDADE DE POTÊNCIA S MEDIDA NA CIDADE DE SÃO PAULO
Local IPT Raia CRUSP ICB
S (µW/cm²) 0,042 0,0059 0,027 0,053

ii) Em Salvador: Costa e Silva (2003) cita que o Departamento de Engenharia Elétrica da Universidade Federal da Bahia realizou medidas em locais onde uma pessoa possa ir sem qualquer aviso sobre a existência de campos eletromagnéticos. Os resultados obtidos após mais de 400 medidas oscilam entre 0,1 até 300 V/m, sendo encontrado também valores maiores de 9 V/m.

iii) No Distrito Federal: O físico José Marcondes Barbosa in Alves (2003) mediu a intensidade dos campos eletromagnéticos em alguns pontos da cidade de Brasília e apontou áreas com maiores índices desses campos, dentre as quais destaca-se: a Praça dos Três Poderes, a Esplanada dos Ministérios, o Setor Hoteleiro Sul e o Norte, o Setor Policial Sul e os Setores de Rádio e TV Sul e Norte.
iv) Em Minas Gerais: Paulino (2001) realizou medidas nas proximidades de ERB’s na cidade de Belo Horizonte, encontrando valores típicos de densidade de potência de 0,002 W/m²; valores máximos, para antenas instaladas em torres, de 0,01 W/m² e 0,2 W/m² para antenas instaladas em prédios. Segundo o autor, no caso mais crítico a densidade de potência das antenas das ERB’s é cerca de 20 vezes menor que a densidade máxima recomenda pela ANATEL.

v) No município de Macapá-AP, não há registro na Secretaria Municipal de Meio Ambiente de medições realizadas com o intuito de verificar os níveis de poluição eletromagnética na sua área urbana, o que pode ser justificado pela ausência de legislação específica sobre a matéria, até a data da conclusão deste trabalho. Entretanto, o número de antenas instaladas vem aumentando nos últimos anos, principalmente do serviço móvel celular. Segundo dados fornecidos pela ANATEL (2004), em Macapá, até fevereiro de 2004, foram instaladas 33 ERB’s, e somente no ano 2003, pelo menos quinze (15) entraram em operação. A Tabela 2 mostra a distribuição de ERB’s de acordo com a operadora.

TABELA 2 – OPERADORAS DO SISTEMA MÓVEL CELULAR EM MACAPÁ
OPERADORA - ESTAÇÕES
Amazônia Celular 14
Vivo 04
TIM 15
As ondas de rádio, na qual as principais aplicações são as emissoras de rádio e televisão, são segundo Sabbatini (2003), 500 a 1000 vezes mais potentes do que as antenas das ERBS, o que explica o seu número reduzido de torres, pois, uma estação de FM ou TV cobre uma área de até 40 km de raio, enquanto uma estação celular atinge áreas que vão de 100 m a 5 km de raio, necessitando de um número maior de torres para seu funcionamento no interior das cidades (Costa e Silva, 2003). Segundo dados da ANATEL (2004) estão em funcionamento no município de Macapá-AP 10 emissoras de televisão e 11 de radiodifusão sonora, nas faixas de freqüências mostradas na Tabela 3.

TABELA 3 – EMISSORAS DE TELEVISÃO E RADIODIFUSÃO
TIPO - SISTEMA - EMISSORAS
TELEVISÃO VHF 03
TELEVISÃO UHF 01
TELEVISÃO RTV 06

RADIODIFUSÃO FM 06
RADIODIFUSÃO OM 03
RADIODIFUSÃO OT 02

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Efeitos da REM não ionizante

Normalmente os seres humanos já estão expostos a uma radiação natural, que é proveniente, principalmente do Sol. São os raios na faixa de frequência do infravermelho e da luz visível. O crescimento da utilização dos sistemas elétricos e eletrônicos que irradiam ondas eletromagnéticas, somados aos campos criados pelas fontes naturais, proporciona o aumento dos níveis de REM no ambiente.
A preocupação com o aumento da radiação eletromagnética não-ionizante no ambiente, têm levado cientistas e pesquisadores a estudarem sobre os possíveis efeitos adversos no ser humano e em equipamentos. Esses efeitos são designados, respectivamente, como biológicos e interferência eletromagnética.

Efeitos Biológicos

Há muita controvérsia quando se trata dos danos à saúde provocados pela exposição à radiação eletromagnética. A única comprovação que se tem é que ela provoca excitação das moléculas e o aquecimento das áreas expostas. Esse aumento de temperatura do corpo é chamado de efeito térmico.

Pesquisas revelam que o efeito térmico pode provocar alterações no funcionamento de órgãos como olhos, pele, bexiga, testículos, fígado, intestino e o sistema nervoso central. A REM ao propagar-se através de um meio biológico, interage com ele, ocorrendo trocas de energia. A principal troca de energia se dá entre o campo elétrico e as moleculas polares da água, já que o tecido orgânico é composto basicamente por matéria em solução aquosa. Entretanto, a REM não-ionizante possui baixo nível de energia, o que na sua maioria, impede de produzir ionização.

A absorção de radiação eletromagnética pelos organismos vivos é elevada para tecidos com alto teor de água como músculo, tecido cerebral, órgãos internos e pele, e menor para tecidos como gordura e ossos, que apresentam baixo conteúdo de água. Essa absorção por um tecido depende de suas características dimensionais e do comprimento de onda incidente, “quanto maior o comprimento de onda da radiação incidente, maior sua profundidade de penetração no tecido biológico”. Segundo dados da ICNIRP nas frequências de 10 MHz a 300 GHz, a elevação da temperatura varia entre 1 a 2 ºC e pode resultar em efeitos adversos à saúde, como exaustão e choque térmico.

Os efeitos não térmicos provenientes da exposição a REM são aqueles não relacionados com a elevação de temperatura, e são de natureza bioquímica, eletrofísicos. São resultantes da interação direta da energia eletromagnética com o tecido humano. Pesquisadores revelam que esses efeitos são mais difíceis de serem observados que os térmicos e a dificuldade se deve “à natureza da resposta do organismo e à falta de explicações sobre o mecanismo causador do efeito”. Em estudos realizados com animais observou-se “mudanças nos reflexos condicionados, alterações da sensibilidade à luz, som e estímulo olfativo, alterações nas biocorrentes do córtex cerebral e mudanças de comportamento”.

Os principais estudos já realizados sobre efeitos não térmicos nos seres humanos, apontam sintomas em pessoas submetidas a REM como: dor de cabeça, fadiga, perturbação do sono, irritabilidade, depressão, dificuldade de memorização e instabilidade de pressão.

Segundo a ICNIRP (1988) os efeitos atérmicos decorrentes da exposição de sistemas biológicos, são pequenos e muito difíceis de relacionar a efeitos potencialmente prejudiciais à saúde. Dado a essa dificuldade de medir e determinar a extensão dos efeitos atérmicos, a OMS desenvolve um estudo envolvendo cerca de 45 países e 8 organizações, com a finalidade de estudar mais profundamente esse efeito.

Interferência Eletromagnética

A interferência eletromagnética “é o processo pelo qual a energia eletromagnética perturbadora é transmitida de um dispositivo, equipamento ou sistema por um outro, via caminhos irradiados e/ou conduzidos”. A ABRICEM define interferência eletromagnética como a “degradação do desempenho de um equipamento, canal de transmissão ou sistema, causada por uma perturbação eletromagnética”.

O aumento dos níveis de energia eletromagnética no ambiente provocam, efeitos no funcionamento de equipamentos. Esses, num mesmo ambiente eletromagnético, podem produzir interferências eletromagnéticas entre si, prejudicando sua atividade de funcionamento. Avaliam autores, que a qualidade de um ambiente eletromagnético pode ser medida pelo grau de emissões que podem ser irradiadas através do ar ou conduzidas pelos cabos de alimentação e comunicação.

Muitos exemplos podem ser citados da interferência eletromagnética, como no caso de microcomputadores que interferem com rádios FM e televisores; o uso de telefones celulares durante as viagens de avião interferem nos equipamentos eletrônicos das aeronaves; sistemas de injeção eletrônica de veículos automotores que não funcionam perto de linhas de transmissão de alta potência ou túneis; aparelho de televisão que é interferido por inúmeros eletrodomésticos que possuam motores elétricos; lâmpadas fluorescentes que quando acendem provocam interferência em equipamentos que estejam em pontos próximos da rede elétrica.

Em sistemas de comunicação, alarmes satélites, radares, armamentos e outros, já foram detectados problemas devido a interferência entre equipamentos que compartilham o mesmo ambiente eletromagnético. Há registros de acidentes que ocorreram com aeronaves, navios, e outros, que sabe-se, foram causados por problemas de compatibilidade e interferência eletromagnética.

Segundo dados do CPRAD, instalações de ERB’s nas proximidades de hospitais, centros cirúrgicos e UTI’s interferem em equipamentos médicos e podem alterar o diagnóstico de exames e promover o desligamento de aparelhos ligados a pacientes em UTI. Por precaução, recomenda, que a instalação de ERB’s deve ser mantida distante fisicamente desses locais.

Autores afirmam que só ocorrerá interferência eletromagnética, com alterações no funcionamento dos equipamentos, caso existam em um mesmo ambiente, equipamentos sem proteção contra os ruídos irradiados ou conduzidos. Para minimizar ou eliminar as interferências, basta utilizar soluções como blindagens eletromagnéticas, cabos blindados, colocação de malha de terra e alocação correta de componentes de alta freqüência em placas de circuito impresso.