quarta-feira, 28 de fevereiro de 2007

Corrida do Círio - 2006

A escolha

Após a “Milha do Economiário” fiquei tentado a participar de outra competição. Só que dessa vez priorizando distâncias maiores. Seria um bom teste para avaliar o meu desempenho e o condicionamento físico, após esse longo período lutando para controlar a pressão arterial.

Em Belém, costuma-se dizer que, o natal dos paraenses ocorre em outubro. É assim que eles encaram os festejos do Círio de Nossa Senhora de Nazaré. A culinária regional é o prato principal. Alimenta as reuniões familiares e a crença dos fiéis, que participam fervorosamente da procissão. Nesse período, vários eventos religiosos, sociais e esportivos, reúnem milhares de fiéis, onde celebram suas promessas, pedidos e confirmam toda sua devoção.

O principal evento esportivo é a Corrida do Círio, que também é um das principais do Pará. É impressionante, mas as pessoas aproveitam para pagar promessa ou fazer pedido a Nossa Senhora de Nazaré. Isso é tão forte que virou marketing de academia. Elas abrem turmas específicas para preparação física dos devotos.

Então, resolvi que seria a Corrida do Círio. Primeiro tive que fazer um teste ergométrico, para não ser surpreendido pelo coração. Após a liberação pelo médico, atendi ao chamado das academias e fiz inscrição para iniciar a preparação. Comecei o trabalho na primeira semana de agosto para finalizar em 22 de outubro, dia da prova.

A preparação

Para motivar e reforçar o compromisso, para não desanimar, fiz uma promessa/pedido, que cumpriria na prova. Pedi ajuda aos céus para iluminar meu pai na sua luta na busca da cura de sua moléstia.

Nas três primeiras semanas, iniciei um trabalho de reforço para a musculatura usada nessas provas e corria, três dias na esteira, por cerca de 30 minutos. Ao longo da preparação fui aumentando o tempo para 1 hora e intercalava com corrida intervalada (3min de trote e 2min de corrida rápida). Aos domingos, passei a fazer percurso de rua para ir acostumando com o horário da corrida (7 da manhã). Uma semana antes da prova resolvi fazer o percurso oficial e completei num tempo 50 minutos, média de 5 min/km. Estava pronto.

A corrida

No dia da corrida acordei às 5 da manhã e bem disposto. Tomei banho e um café reforçado. Saí na companhia de minha esposa Denise e do amigo (cunhado) Gil. No local peguei o chip, que é o controle da organização, e coloquei no tênis. Às seis e meia iniciei o aquecimento. Cinco minutos antes da largada fui para a rua, que se encontrava completamente tomada. Posicionei-me na parte final para evitar qualquer atropelo.

Ouvi o disparo sinalizando a largada, mas, incrível, não dava para correr. Era tanta gente se espremendo que mesmo pela calçada era impossível ultrapassar. Mantive a calma e iniciei minhas orações por cerca de 2 km. A partir daí, já era possível ultrapassar, uma vez que os apressadinhos, que imprimiram um ritmo forte no início, davam sinais de cansaço.

Combinei, antes da largada, com a Denise e o Gil, de receber deles água antes dos postos oficiais de hidratação, para evitar, com o acúmulo de atletas, quebras no meu ritmo de corrida e possíveis atrasos. Tomei água e quando passei no km 4, primeiro posto, foi exatamente o que aconteceu. Nessa ocasião, já imprimia um bom ritmo e me sentia muito bem, sem cansaço algum. Aproveitei e ganhei muitas posições e como conhecia o percurso, fui tentado a reduzir a velocidade, pois, havia uma subida bem íngrime, no início da avenida Presidente Vargas.

Após a subida, resolvi segurar o ritmo, pois, temia não ter gás suficiente para a chegada. Nessa ocasião, muitos já nem corriam, caminhavam. Outros aproveitavam para dar força a esses, tentando incentivá-los a não desistir.

Nos 3km finais corri forte, que cheguei a pensar que não fosse agüentar. Quando sentia qualquer quebra no ritmo, procurava voltar à velocidade anterior. Foi impressionante, mas nessa ocasião ultrapassei centenas de pessoas. Quando entrei na Av. Magalhães Barata, era possível avistar a linha de chegada e a festa que acontecia. Quando fui me aproximando, lembrei de olhar no relógio para verificar o tempo de prova e percebi que tinha grandes chances de reduzir o tempo obtido no último treino. Isso me incentivou ainda mais para aumentar a velocidade até o meu limite e dessa forma cruzei a linha de chegada. Após essa conquista pessoal, ocorria a entrega do chip, para a coordenação do evento, e o recebimento do prêmio pelo feito: a medalha.

A conquista

A corrida do Círio teve um significado especial. Foi a confirmação do trabalho de anos de luta para controlar a pressão arterial. Foi um feito expressivo, o maior de todos. Um ato de superação dos meus limites. O próprio tempo da corrida foi expressivo em comparação ao obtido no último treino, reduzi mais de cinco minutos, conseguindo completar o percurso em 44min e 29seg (quarenta e quatro minutos e vinte e nove segundos). Meu corpo deu a resposta e ela foi positiva.

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2007

Correndo em busca de saúde


Em 2006, havia melhorado bastante da hipertensão arterial. Já havia, inclusive, reduzido a dosagem do remédio. Continuava seguindo à risca as recomendações médicas e prosseguia com a dieta e atividade física. Estava com um condicionamento bom, que me permitia correr, pelo menos, duas vezes por semana, além da musculação que fazia regularmente. Tinha a intenção de participar de uma prova, pois, me agradava ver pela televisão o esforço das pessoas tentando completar uma corrida. Muitas delas, também hipertensas, e que estavam ali para provar para si mesma, que tinham saúde e eram capazes de tal feito.

A primeira oportunidade que tive veio do local de trabalho de minha esposa Denise. Havia um evento de atletismo, patrocinado pela Caixa, local onde trabalha, para atletas de elite e uma outra específica para os funcionários da Caixa e seus familiares. Como no local de trabalho dela não havia funcionários que praticavam esse esporte, ela me ligou e perguntou se não queria participar do evento, representando aquele setor. Aceitei o convite porque seria uma oportunidade de verificar o meu condicionamento físico, mas, sobretudo, pelo clima de descontração e animação que cercava o evento. Além do mais, tratava-se de um percurso curto 1.600 m. Daí o nome “Milha do Economiário”.

Nunca fui muito bom em distâncias pequenas, mas saber que a linha de chagada não estava tão distante era um consolo. No dia da corrida, havia muitas “feras” do atletismo nacional, imprensa e tudo o que cerca esses eventos de esporte. Comecei o meu aquecimento pelo menos 20 min antes da prova. Sabia que ela não duraria tudo isso, mas estava ansioso e não conseguia ficar parado. Na hora da largada, percebi que alguns funcionários estavam acima do peso. Sem menosprezar, aquilo me consolava para não decepcionar na chegada.

Quando foi dada a largada, todo mundo passou “sebo nas canelas”, como se costuma dizer quando se sai correndo em disparada. Verifiquei que fui ficando para trás e bem para trás. Então resolvi acelerar um pouco mais e sai em busca de todos. Fui passando um após o outro e me aproximei dos primeiros colocados. Ao avistarmos a fita de chegada aceleramos forte, com toda a intensidade e aos poucos as colocações foram se definindo. Ao passar pela linha de chegada, estava exausto, como não ficava a tempos, quase desfalecido. Cheguei em quarto lugar.

Quando ainda me recuperava da prova, meu filho me disse: “Pai se o senhor corresse um pouco mais, aquele rapaz que chegou na sua frente estava quase morto”. Olhei para ele e disparei: Oh! Meu filho, eu estava ou pouco pior do que ele, por isso, não o ultrapassei.

Fiquei satisfeito pela arrancada final e pela diversão que o evento proporcionou. Fiquei encorajado a participar de outras corridas, mais longas, para verificar meu desempenho. A partir de então, pressenti que estava recuperando o domínio sobre meu corpo, que poderia ir mais longe e dar provas da minha melhora.

No próximo texto, vou contar a experiência de correr 10 km, num misto de religiosidade e superação.

domingo, 25 de fevereiro de 2007

Manuscrito

Mexendo nos meus alfarrábios, encontrei parte do texto que compunha o discurso da minha colação de grau, na qual fui o orador das turmas de Matemática e Física.

Chegamos ao momento que todos esperavam, de festa, de alegria e, sobretudo, de reflexão. Reflexão, sobre o papel que o profissional de ensino representa para a sociedade. Reflexão, sobre sua responsabilidade na formação de cidadãos conscientes e também responsáveis pelo desenvolvimento da sociedade, através de um processo dinâmico e dialético, que nos conduza a uma verdadeira democracia.

Como profissionais não podemos admitir que se estabeleça um pacto de mediocridade com o educando, tolhendo-o de sua liberdade e criatividade, em favor de sistemas autoritários, que agridem e ferem a própria condição humana de direito à vida.

É necessário, porém, uma mudança de postura, de meros críticos a uma atitude de demonstre, acima de tudo, o espírito aberto, na condução de ações que visem o interesse da coletividade.

A participação crítica e ativa na sociedade é indispensável para se entender o seu funcionamento, bem como, suas relações com o ambiente e as conseqüências decorrentes dessas relações. Portanto, não se pode ensinar uma ciência sem levar em consideração às suas relações com outras. É um compromisso que temos que temos que assumir.

Deixamos esta universidade, que foi nosso lar durante nossa formação. Mas, estaremos acompanhando, mesmo de longe, a sua caminhada. Esperamos que as mudanças, tão necessárias ocorram, e que a Universidade Rural encontre os reais caminhos que a conduza a um processo de transformação.

Não poderíamos, neste momento, nos furtar de agradecer aos que contribuíram para que o dia de hoje, enfim, chegasse: aos professores, que com serenidade nos mostraram os caminhos; aos amigos que nos acompanharam durante a caminhada; e a nossos pais que iluminaram nossos caminhos e aguardaram nossa chegada. A todos a nossa gratidão.

Discurso proferido em 06/02/1993, por ocasião da colação de grau das turmas de Física e Matemática da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro.

sábado, 24 de fevereiro de 2007

Os físicos e o novo mundo

Luís Nassif

"Excelente texto de Luis Nassif, sobre os físicos, vale a pena ler" Folha de São Paulo, 5/07/98
No ambiente acadêmico, há quem os considere arrogantes. Eufemisticamente, se poderia admitir que são bastante conscientes de sua forma superior de pensar - e não escondem isso. Embora existam especialidades em sua profissão, jactam-se do oposto, de sua visão sistêmica, "holística", generalista, conforme gostam de defini-la.

Em geral ironizam a objetividade sólida do engenheiro e o pretenso saber científico dos economistas. E tratam com solene desprezo os "especialistas" que não conseguem enxergar além da sua especialização.

Em diversos centros e institutos acadêmicos, a grande revolução científica brasileira vem sendo comandada pelos físicos. Em parte pelo investimento sistemático feito no setor nas últimas décadas, que acabou gerando vários centros de excelência. Em parte, pelos pioneiros que lograram incutir princípios éticos e científicos bastante sólidos em seus discípulos.

Mas, na maior parte, pelo fato de os físicos terem desenvolvido uma forma de pensar superior, muito mais adequada para se locomover em um mundo em constantes transformações, onde caem a cada dia as fronteiras entre as diversas formas de conhecimento - que antes desenvolviam-se de forma estanque, uns dos outros.

Não lhes interessa a parte,mas a toda; não o evento isolado, mas o sistema integrado; não o resultado estático de um experimento, mas a maneira como os fenômenos interagem entre si, como se afetam mutuamente, recriando realidades dinâmicas como o equilíbrio de um tabuleiro de xadrez sendo afetado continuamente pelas peças movidas.

Nas últimas décadas as tentativas de compreensão do Brasil foram subordinadas a uma visão macroeconômica estreita da qual o exemplo mais ostensivo foi a famosa batalha do Itararé em Carajás - a reunião da equipe econômica com o presidente da República, que resultou em uma série de recomendações que, tivessem sido seguidas, "teriam salvo o cruzado e o pais". Levaram-se anos para perceber que faltavam pré-condições mínimas para se conquistar a estabilização na época.

Ainda hoje, esse tipo de visão - de que um pais se forja na boca do caixa do Tesouro ou na mesa de câmbio do Banco Central - é dominante na opinião pública. O país irá acabar ou estará salvo, dependendo do nível do déficit público, das transações correntes ou da taxa de investimento da economia.

Recente relatório da Mac Kinsey concluiu que há espaço para aumenta da produtividade em mais de 30%, na maior parte dos setores nacionais unicamente por meio da implantação de novos parâmetros gerenciais, programas de qualidade total, somados à capacidade dos setores de passarem a se articular cooperativamente ao longo da cadeia produtiva.

Quando se entra nesse campo, descobre-se um universo infinitamente mais rico e mais complexo, onde entram o conhecimento, valores gerenciais, relações sociais articulações políticas, pesquisas etc. e a consistência macroeconômica, é claro.

Em recente debate de que participei acerca dos quatro anos da Real -presentes economistas de oposição e de governo -, a discussão foi monopolizada pelas projeções sobre os déficits público e em conta corrente.

De lado a lado, os economistas caminhavam com desenvoltura em torno de conceitos como grau de déficit público aceitável, nível de investimento necessário para retomar o desenvolvimento etc. Comparavam-se dados de investimento sobre PlB de agora com os dos últimas anos, sem levar em conta os enormes desperdícios ocorridos ao longo dos últimas15 anos, em obras inacabadas ou superfaturadas por conta de falta de controle e inflação, descontinuidade na liberação dos recursos orçamentários e tudo o mais que caracterizou os anos 80.

Nenhum dos presentes - eu no meio - tinha a mais vaga idéia além da observação empírica, sobre como fatores políticos e sociais se entrelaçam, como se cria um ambiente de desenvolvimento, como se reproduzem experiências vitoriosas de articulação da cadeia produtiva, e outras partes do país, qual o peso das mudanças culturais na formação desse ambiente e assim por diante. Éramos todos contadores, discutindo o balanço, sem a mínima noção acerca da complexidade das teias políticas, sociais e econômicas que definem o processo de desenvolvimento. É aí que entra a visão sistêmica do físico - perto da qual essa enorme discussão macroeconômica torna-se uma pobreza franciscana. Em nível internacional, ajudaram a ciência econômica a sistematizar novas formas de pensar, com suas contribuições sobre a teoria do caos ou sobre a natureza dos mercados de derivativos.

Não é por outro motivo que, no Brasil os físicos vêm ocupando cada vez mais cargos-chave e tendo papel central nessa reavaliação de conceitos. Hoje eles estão na vanguarda das discussões sobre a política científico-tecnológica, são os que melhor têm demonstrado entender o novo papel da universidade, e mesmo o fenômeno do desenvolvimento em si. Embora haja chutadores em qualquer profissão, a existência de um físico à frente de determinado órgão é garantia, no mínimo, de uma visão original acerca do problema a ser enfrentado.

São convencidos? São, sim. Mas justificadamente.

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2007

“Saúde é o que interessa...” - Final

Passei praticamente 4 anos lutando para recuperar minha saúde, para controlar a pressão arterial. Iniciei essa rotina tomando remédio três vezes ao dia e a cada MAPA realizado diminuía a dosagem. Hoje controlo sem a necessidade de droga nenhuma, apenas seguindo as recomendações médicas: dieta, atividade física e viver de bem com a vida, sem cometer excessos, mas também, sem deixar de fazer aquilo de bom que a vida oferece.

Perdi quase 20 kg, que me fez renovar o guarda-roupa, vestia 46 e hoje estou na transição de 40 para 38. Vocês podem estar assustados na queda do meu modelito, porém, de fato, minha gordura era localizada na região abdominal, talvez seja a explicação para as mudanças tão bruscas no meu manequim.

Mudei completamente minha alimentação. Frutas e legumes passaram a fazer parte da minha dieta e eliminei aquele churrasquinho, de final de semana, com carne gordurosa. Substitui refrigerantes por suco natural. Passei a usar leite desnatado e uma série de produtos que contém fibras e outros de natureza light.

Me dei o luxo de poder dizer, que agora só bebo socialmente. Somente em ocasiões especiais, como nas festas natalinas e de final de ano. É incrível, mas aprendi a ter vida social sem relacioná-la com bebida alcoólica. Ademais, meu organismo buscou formas de protestar contra o consumo excessivo e periódico das “geladas”. Algumas vezes de forma violenta, só cessando nos hospitais.
Consegui melhorar meu desempenho na cama. Estou dormindo mais e melhor, atingindo a proeza de seis horas ininterruptas. Passei a desempenhar minhas tarefas profissionais e estudantis durante o dia, adequando meu processo produtivo a melhor “performance” do corpo e da mente.

Adquiri condicionamento físico, que me permitiu participar, em 2006, de duas corridas de rua, com tempos expressivos de atleta amador. Experiência essa que pretendo compartilhar com os amigos, num próximo texto.

Passei a ver a vida com outros olhos, administrando as emoções e dando prioridade para o autocontrole. Procurando filtrar os acontecimentos estressantes e eliminando o sofrimento antecipatório. E o mais estimulante, tirando lições dos problemas e sofrimentos.

Atualmente vivo em paz com meu corpo e minha mente e posso dizer que, em primeiro lugar vem a saúde. Sem ela não é possível sonhar e quem não sonha, não tem esperança. Quem não tem esperança, não tem razão para viver. Por isso, busco saúde para ter esperança em continuar sonhando.

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2007

“Saúde é o que interessa...” VI

Período pós-MAPA II

Apesar da considerável melhora e a redução da medicação para controle da pressão, apenas uma dose ao dia, o foco passou a ser o sono. Dormir de 6 a 8 horas diariamente passou a ser obrigação. Quanto mais HCD (horas/cama/dormidas) melhor. Parece simples é só deitar e apagar. Comigo, não era bem assim. Independente da hora que deitava, só conseguia desligar a partir de 2 ou 3 da madrugada. Até aí tudo bem. Mas, o problema estava na hora de acordar. Quando conseguia dormir bem, acordava às 7 da manhã. Em geral, em função das atividades profissionais, era obrigado a acordar às 6, e por mais que tentasse não conseguia prolongar o sono por muito tempo. Estava tão acostumado que, aparentemente, não ficava com aspecto de quem não havia dormido direito.

É importante ressaltar que nesse período continuava acumulando as recomendações anteriores: exercícios físicos, dieta, remédio para PA, administração das emoções e agora incluía a luta pela melhoria das horas de cama.
Então, iniciamos pela medicação, duas vezes ao dia, e mudança no horário da atividade física. A medicação adotada era natural para que não pudesse causar dependência e um problema posterior a ser resolvido. O horário da atividade física foi alterado para o final da tarde, com o intuito de levar o organismo a exaustão, para que ao deitar, pudesse relaxar mais rapidamente e antecipar o horário de sono. Como não dava para prolongar o sono pela manhã, a idéia era antecipar a hora de dormir, para ao final, somar pelo menos 6 horas/sono. E assim foi feito.

O MAPA III

O terceiro MAPA foi efetuado em setembro de 2006, no mesmo local dos anteriores e pelas mesmas razões. Estava 17 kg mais leve (73 kg de peso) e dormindo razoavelmente bem. Apesar de estar acostumado com o aparelho, dessa vez, foi extremamente desconfortável, a noite não foi das melhores.

Nesse mapeamento foram efetuadas 63 medições, sendo que, dessas, 46 foram realizadas em intervalos de 20 em 20 min e as outras 17, em períodos de 30 em 30 min. No resultado, o relatório mostrou que em apenas 5 medidas constatou-se valores anormais de pressão alterada, sendo uma única verificada no período de sono, apesar do desconforto do aparelho.

Na conclusão o relatório registrava: “Comportamento normal da pressão arterial durante todo o período de gravação. Cargas pressóricas normais. Ausência de picos hipertensivos. Descenso pressórico fisiológico durante o sono.” Como se pode constatar, finalmente, a pressão arterial estava controlada.

No próximo e último texto, uma análise desses anos de luta para readquirir a saúde e a qualidade de vida.

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2007

“Saúde é o que interessa...” V

Período pós-MAPA I

Após a constatação do primeiro MAPA veio a rotina de remédios e a recomendação para administrar as emoções. A dosagem da medicação da pressão havia sido reduzida para 2 vezes ao dia, enquanto que o controle das emoções, passaria a ser o foco da minha atenção. O requisito básico para a melhoria da saúde, seria mostrado a partir da minha capacidade em filtrar os estímulos estressantes do dia-a-dia. E mais, de como resolvê-los, afinal, problemas existem para serem resolvidos e não para nos consumir.

Inicialmente, a tarefa apresentava-se extremamente difícil, haja vista, tratar-se de uma mudança de hábito que me acompanhava por toda vida. Ademais, qualquer processo de mudança, no início, é doloroso e necessita de um tempo para adaptação.

Diria, então, que o ano de 2005, foi um ano de adaptação. Mudanças significativas ocorreram na minha vida, inclusive com a mudança de ares. Isso ajudou bastante. A gama de acontecimentos inesperados foi simplificada, reduzindo-se sobremaneira. E o mais importante disso, foi poder extrair lições das dificuldades e sofrimentos.

Resumiria a luta pelo bem-estar, para administrar as emoções, através de três palavras: observação, avaliação e decisão. Qualquer acontecimento que me dissesse respeito teria que passar pelo crivo dessa trilogia. A observação se restringia a verificar os acontecimentos, uma leitura simples dos fatos sem pensamentos antecipatórios, que causam tensão, mal-estar e ansiedade. A partir daí, se me dissesse respeito, algumas vezes sofremos por coisas que não nos dizem respeito, verificava a extensão do problema e as possibilidades de solução. E finalmente, de acordo com a intensidade e as possibilidades que se apresentavam, tomava a decisão mais adequada à solução do problema, no todo ou em parte. Nem sempre será possível resolvê-los completamente.


O MAPA II

O segundo MAPA foi efetuado em outubro de 2005. No mesmo local do primeiro, para que não houvesse qualquer discrepância em termos de sensibilidade do instrumento. Nessa ocasião, estava “pesando” 78 kg. Continuava a perder peso (12 no total), pois, prosseguia com os exercícios físicos e a dieta.

Foram efetuadas 79 medidas, sendo que, dessas, 64 foram realizadas em intervalos de 15 em 15 min e as outras 15, em períodos de 30 em 30 min. No relatório constava 40 medidas que indicavam valores normais e 39 configuravam PA elevada, sendo 9 durante o sono. Fazendo a analogia, em relação às medidas efetuadas, 39 correspondem a um tempo de 10h e 30min, operando fora da normalidade e 40 medidas expressando 13h e 30 min de perfeita harmonia entre mente e corpo.

Comparando os dois MAPAs

Dessa vez, houve uma mudança expressiva nos valores. No MAPA I, apenas 15% das medidas estavam dentro da normalidade. No segundo, 50,6% confirmaram que a maior parte do tempo a pressão manteve-se em níveis aceitáveis, sendo considerados normais. A diferença foi representativa e digna de comemoração. Entretanto, a conclusão do MAPA II estabelecia: “curva pressórica alterada por hipertensão arterial noturna.” Essa foi a grande novidade em relação ao MAPA I. Nesse, a PA encontrava-se elevada durante a vigília e atingia a normalidade durante o sono. Naquele, ocorreu exatamente o contrário.

Uma nova variável

A novidade constatada no MAPA II, não foi, de certa forma, tão inesperada. Aparecia um novo/velho problema a ser resolvido. A partir de então, teria que incluir no tratamento essa nova variável: o sono. Nunca tive muita habilidade para o sono. Aliás, a insônia foi uma parceira importante na época de estudante, onde, se o dia tivesse 36 h, ainda assim, faltaria tempo para estudar. Utilizei a insônia de forma favorável. Não imaginava que ao longo do tempo ela fosse me consumir, porém consumi horas de insônia ralando muito. Fazer um curso de Física exige muita dedicação, muitas horas de estudo, muitas HBS (horas/bundas/sentadas) e foi desse período que ela se instalou e ficou. Foi minha parceira e companheira por todos esses anos, mas essa relação estava chegando ao fim.

No próximo texto, mostrarei o terceiro MAPA, seus resultados e a luta contra o sono.

domingo, 18 de fevereiro de 2007

“Saúde é o que interessa...” IV

Primeiro MAPA

MAPA significa Monitoração Ambulatória da Pressão Arterial. É um aparelho que é colocado no paciente para efetuar medidas periódicas da PA durante um dia. As medidas são efetuadas, dependendo do equipamento, de 20 a 30 min, durante o dia e de 30min a 1h, à noite (a partir das 23h). São efetuadas em média de 60 a 80 medições. É um pouco desconfortável porque a cada medida o manguito (parte do equipamento que envolve o braço) contrai, apertando bastante, mas o resultado é fabuloso para se ter idéia do quadro geral da PA.

Após a retirada do equipamento é impresso um relatório com todas as medidas efetuadas. Nele, consta também, a qualidade das medidas do total efetuado, a média das pressões sistólicas e diastólicas, a variação entre virgília e sono e a conclusão sobre os níveis da PA. De posse dessas informações, é possível saber se o paciente está dentro dos limites da normalidade ou apresenta hipertensão arterial.

No meu caso, o primeiro MAPA foi efetuado em agosto de 2004. Foram efetuadas 58 medições, intercaladas por períodos de 20 em 20 min até às 23h e retornando às 7 da manhã até o momento da retirada do aparelho, totalizando 50. No período do sono, as medidas passaram a ser realizadas de hora em hora, num total de 8.

O resultado foi surpreendente. Do total das medidas, apenas 9 estiveram dentro da normalidade. Seria imaginar que das 24 h do dia, em penas 5h e 20min, minha PA estaria normal, sendo que desse tempo, 3h correspondiam ao período do sono, quando o corpo encontrava-se totalmente relaxado e na horizontal. Isso mesmo, durante 18h e 40min, a PA permanecia em níveis elevados.

Obviamente que a analogia acima é apenas ilustrativa, não pretende substituir qualquer interpretação científica com finalidade médica. Coisa de físico. O fato é que, nessa época, já havia perdido 10kg, estava “pesando” 80kg, no entanto, a PA continuava em níveis elevadíssimos. A constatação foi dolorosa.

A conclusão do MAPA dizia o seguinte: “Níveis aumentados de pressão arterial diastólica durante toda a vigília e cargas pressóricas sistólicas normais...”. Significa, popularmente dizendo, que a pressão mínima estava alterada.

A propósito, os termos aqui referidos, merecem uma observação. A pressão que o coração precisa para bombear sangue para o restante do corpo é chamada sistólica. Ela deve ser máxima para atingir esse objetivo. Após essa ação, ocorre uma pausa entre os batimentos. Nesse momento a pressão é mínima e chamada de diastólica.

Obviamente, que apesar da gravidade desses resultados, já havia ocorrido uma melhora no meu quadro. Infelizmente, não havia um MAPA para comparar, mas podia-se perceber na melhora do meu condicionamento físico e na perda de peso.

O período que sucedeu o primeiro MAPA foi acompanhado de remédio para controle da pressão, 3 vezes ao dia, e o início da luta para controlar as emoções. O resultado será mostrado no próximo texto.

sábado, 17 de fevereiro de 2007

“Saúde é o que interessa...” III

Estava progredindo na minha rotineira tarefa de praticar exercícios físicos. Já dava para se notar que havia perdido umas “gordurinhas”. Apesar do sarcasmo nas observações, estava compromissado em atingir a meta estabelecida e não seriam essas “brincadeiras” que me fariam mudar de rumo. É triste a constatação, mas é fato, o seu bem-estar é um mal-estar para as pessoas.

Entretanto, mesmo com a melhora no condicionamento físico, percebia, nas medições periódicas da PA, que os níveis permaneciam os mesmos, na casa dos 16 por 10. Retornei ao médico em companhia de minha esposa, tentando buscar uma explicação para o fato. Pôxa, havia feito tudo o que foi recomendado, e no entanto, nada da PA baixar. Na conversa ele perguntou como era o meu humor. Quando tentei responder, minha esposa se antecipou e disse: “Hum! Doutor, o homem é muito esquentado..., se aborrece com tudo e com todos!”.

Foi, então, que percebi que a minha genética, nesse ponto, era terrível. A família é cabeça quente. Desse momento em diante, passei a ver as coisas de uma forma mais light. Deixei de esquentar a moringa por coisas que realmente não tinham tanta importância. No popular, seria deixar de transformar garoa em tempestade.

O fato é que, em geral, sempre temos problemas (ou tarefas) a resolver. Ninguém vive às “mil maravilhas”. Ao contrario, a vida é repleta de situações inesperadas e dificuldades mil. Temos que ter a capacidade de conviver com elas, superá-las. Tirar as lições devidas e incorporá-las a nossa gama de conhecimento, que conhecemos como experiência de vida. Aliás, alguém já disse que, a capacidade de resolver problemas é o que chamamos de responsabilidade.

O que fiz para melhorar o (mal) humor...

Assim, não havia outra solução, senão passar a viver dando menos importância, para o que antes considerava importante e deletando as triviais. E como é que se faz isso? Ora, “cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é”. Sabendo o que lhe irrita, aborrece, lhe deixa “p” da vida, procure evitá-las. Incorpore outras atividades a sua rotina de vida. Vá regularmente ao cinema, além de divertido é cultura. Evite as pessoas chatas, se for o caso, coloque a vassoura atrás da porta. Leia livros, o brasileiro ler em média 0,8 livros por ano (o argentino, 20). No período de férias, tire férias, viaje, curta as praias, clubes...

E importante, também, cultivar algumas atitudes positivas. Conviver com pessoas com auto-estima elevada. Ser mais paciente, tolerante e compreensível. Se tiver algum problema de família, procure resolvê-lo, tome a iniciativa e peça perdão. Enfim, aquilo que estiver mal resolvido, procure resolvê-lo.

No próximo texto, vou mostrar como isso me ajudou. Aguarde!

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2007

“Saúde é o que interessa...” II

Para iniciar a atividade física, procurei um cardiologista, que exigiu uma série de exames laboratoriais, eletrocardiograma e um teste ergométrico. Depois, foi a vez da nutricionista, que elaborou uma dieta de 1500 kcal. O interessante foi observar que, apesar de obeso e hipertenso, os exames nada mostraram de anormal. Porém, o nível de estresse estava elevadíssimo. A constatação podia ser medida pela irritação recorrente, corroborada pela atividade profissional extremamente desgastante.

Percebi que tudo o que estava acontecendo de errado, tinha origem nos excessos que cometi ao longo da vida. Bebida, fumo, noites sem dormir e dedicação extrema ao trabalho, eram os ingredientes que deram o tempero para o amargo sabor da situação que me encontrava. Senti-me enfraquecido e em alguns momentos, até constrangido, quando já respondia ao chamado de “gordinho”.

Mas estava disposto a dar a volta por cima. Mudar hábitos, dominar as emoções, perder peso e voltar ao controle do corpo e da mente. Tudo estava ao meu alcance e não dependia de ninguém, senão da minha própria vontade, perseverança e dedicação. É interessante perceber, que a possibilidade da morte nos faz repensar a vida. É certo também, que poucos percebem essa proximidade e agem no sentido da mudança. Faço essa constatação quando me perguntam o que fiz para largar o cigarro. Foi simples: uma forte convicção de que ele não estava me fazendo bem. Ou eu continuava a consumir cigarros ou os cigarros me consumiam. E foi exatamente assim que passei a agir diante daquilo que não me fazia bem e passei a lutar pela companhia do que me faz bem.

Após o sinal verde do médico, iniciei minha caminhada, exatamente dessa forma: caminhando, todo santo dia. Gosto de correr, já pratiquei durante a adolescência, mas é triste constatar, que não tinha o controle sobre meu corpo e era o que ele me permitia, nesse momento: caminhar pela orla do Rio Amazonas. Com o tempo, passo após passo, fui melhorando e me sentindo a vontade para correr.

A orla da frente da cidade de Macapá é realmente espetacular para quem pratica exercícios físicos, mas durante o “inverno amazônico” isso é impossível. Então, para manter a freqüência dos exercícios, resolvi me inscrever em uma academia, que teria a comodidade do ambiente e a supervisão de um profissional de educação física. Ali foi importante para ganhar condicionamento físico, um pouco de massa muscular e eliminar mais alguns “quilinhos”.

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2007

“Saúde é o que interessa...”I

Estava num evento do governo, no Centro de Convenções, em Macapá-AP, quando percebi que o suor exagerado não era somente em função do calor típico da cidade. Talvez, fosse das caipirinhas tomadas no “Piauí”, no dia anterior. O fato é que foi se intensificando e acompanhado, dessa vez, de calafrios e dor intensa de cabeça. Resolvi pedir auxílio a um amigo médico que, pelo celular, pediu que passasse no “Hospital Geral”. Lá, ao medir minha pressão arterial (PA), assustou-se com os valores (21 por 11). E não foi só essa constatação: peso 90 kg, “catuaba” todo final de semana, fumo, insônia, sedentarismo, separado, nível de estresse elevado...Pára tudo!

Pára tudo, mesmo. Percebi que aos 31 anos, minha vida estava virada ao avesso: hipertenso, sobrepeso de 20 kg, fumante, vida pessoal dilacerada, enfim, ou mudava minha vida ou era o fim. Parece trágico, mas fiquei assustado com as previsões pouco animadoras. Então, fazer o quê?

As recomendações médicas iniciaram com remédio para controlar a PA, três vezes ao dia; acompanhadas da dieta: comer frutas e verduras e alimentos grelhados (frango e carne), eliminar os enlatados, as frituras, bebida alcoólica nem pensar e; atividade física. Confesso que o mais difícil não é acostumar com o paladar dos alimentos grelhados ou das saladas, mas eliminar a bebida (entenda-se alcoólica). Constatei que beber socialmente, como sempre dizemos, quer dizer intensamente. Não temos limite para começar e tão pouco para terminar. Mas, sendo uma obrigação, não havia o que fazer, se não abster-se. O duro é agüentar bêbados insistindo, a todo momento, para você tomar uns goles. Tive que, por vezes, evitar as festinhas.

Procurei seguir rigorosamente tudo o que me foi recomendado. Lembro que o médico me disse, que o que ele poderia fazer por mim estava na minha mão (a receita do remédio da PA, solicitação de exames e algumas recomendações). O resto era comigo. Eu seria o comandante dessa nova jornada da minha vida...