Para iniciar a atividade física, procurei um cardiologista, que exigiu uma série de exames laboratoriais, eletrocardiograma e um teste ergométrico. Depois, foi a vez da nutricionista, que elaborou uma dieta de 1500 kcal. O interessante foi observar que, apesar de obeso e hipertenso, os exames nada mostraram de anormal. Porém, o nível de estresse estava elevadíssimo. A constatação podia ser medida pela irritação recorrente, corroborada pela atividade profissional extremamente desgastante.
Percebi que tudo o que estava acontecendo de errado, tinha origem nos excessos que cometi ao longo da vida. Bebida, fumo, noites sem dormir e dedicação extrema ao trabalho, eram os ingredientes que deram o tempero para o amargo sabor da situação que me encontrava. Senti-me enfraquecido e em alguns momentos, até constrangido, quando já respondia ao chamado de “gordinho”.
Mas estava disposto a dar a volta por cima. Mudar hábitos, dominar as emoções, perder peso e voltar ao controle do corpo e da mente. Tudo estava ao meu alcance e não dependia de ninguém, senão da minha própria vontade, perseverança e dedicação. É interessante perceber, que a possibilidade da morte nos faz repensar a vida. É certo também, que poucos percebem essa proximidade e agem no sentido da mudança. Faço essa constatação quando me perguntam o que fiz para largar o cigarro. Foi simples: uma forte convicção de que ele não estava me fazendo bem. Ou eu continuava a consumir cigarros ou os cigarros me consumiam. E foi exatamente assim que passei a agir diante daquilo que não me fazia bem e passei a lutar pela companhia do que me faz bem.
Após o sinal verde do médico, iniciei minha caminhada, exatamente dessa forma: caminhando, todo santo dia. Gosto de correr, já pratiquei durante a adolescência, mas é triste constatar, que não tinha o controle sobre meu corpo e era o que ele me permitia, nesse momento: caminhar pela orla do Rio Amazonas. Com o tempo, passo após passo, fui melhorando e me sentindo a vontade para correr.
A orla da frente da cidade de Macapá é realmente espetacular para quem pratica exercícios físicos, mas durante o “inverno amazônico” isso é impossível. Então, para manter a freqüência dos exercícios, resolvi me inscrever em uma academia, que teria a comodidade do ambiente e a supervisão de um profissional de educação física. Ali foi importante para ganhar condicionamento físico, um pouco de massa muscular e eliminar mais alguns “quilinhos”.
sexta-feira, 16 de fevereiro de 2007
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